Indígenas ocupam balsa da Cargill no rio Tapajós contra privatização de hidrovias 

Publicado em 20 de Fevereiro de 2026 às 17h06.

Quase um mês após a ocupação do terminal de cargas da multinacional Cargill, no porto de Santarém (PA), cerca de 400 indígenas interceptaram e ocuparam, na quinta-feira (19), uma balsa de grãos da empresa no rio Tapajós.

Foto: Movimento Tapajós Vivo

Durante o ato, o grupo estendeu faixas contra o Decreto 12.600/2025, que abre caminho para a privatização de hidrovias na Amazônia, incluindo os rios Tapajós, Madeira e Tocantins. A ocupação faz parte de uma mobilização mais ampla, iniciada em 22 de janeiro, e integra o protesto contra a concessão de hidrovias à iniciativa privada na região amazônica.

Movimentos indígenas e organizações da sociedade civil denunciam a ausência de consulta livre, prévia e informada às comunidades potencialmente impactadas pela hidrovia do Tapajós — direito assegurado pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) — e exigem a revogação do decreto. Segundo as lideranças indígenas, os projetos ameaçam territórios, modos de vida e o equilíbrio ambiental da região, especialmente com a ampliação da navegação de grande escala para escoamento de grãos.

Foto: Movimento Tapajós Vivo

A dragagem e o derrocamento do leito do rio podem revolver toneladas de mercúrio e resíduos de agrotóxicos acumulados no fundo do Tapajós, contaminando a água e colocando em risco a saúde das populações locais. Outro alerta é para os impactos em Alter do Chão, cujas praias de areia branca podem ser afetadas pela erosão provocada pelo tráfego intenso de barcaças.

Mobilização
Desde 22 de janeiro, milhares de indígenas e integrantes de movimentos sociais protagonizam uma mobilização histórica em Santarém (PA) contra o projeto de privatização e dragagem do Rio Tapajós, que ameaça a biodiversidade e os territórios tradicionais.

Foto: Apib / @Tukuma_pataxo

A medidas de mobilização incluem ainda ocupações estratégicas no porto da Cargill, barqueatas e o fechamento do aeroporto local. A manifestação ganhou apoio da população local, de povos indígenas de outras regiões e parlamentares do estado e federais.

A pressão local levou o governo federal a suspender o pregão eletrônico para a dragagem da hidrovia sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Apesar da suspensão da licitação, o decreto que autoriza a concessão das hidrovias segue em vigor.

Foto: Apib / @Tukuma_pataxo

Além das ações diretas, o movimento também protocolou na Câmara Municipal o pedido de impeachment do vereador Malaquias Mottin, acusado de avançar com um carro contra manifestantes durante a barreira de contenção no porto.

Saiba mais
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