NOTA DA DIRETORIA DO ANDES-SN DE REPÚDIO AO ASSASSINATO DA LIDERANÇA INDÍGENA ZEZICO GUAJAJARA

NOTA DA DIRETORIA DO ANDES-SN DE REPÚDIO AO ASSASSINATO DA LIDERANÇA INDÍGENA ZEZICO GUAJAJARA

Publicado em 01 de Abril de 2020 às 19h14

O ANDES-SN manifesta sua total solidariedade ao povo indígena Guajajara da Terra Indígena (TI) Araribóia e, em especial, ao povo Tentehar/Guajajara, da região do município de Arame (MA), frente ao assassinato de Zezico Guajajara, encontrado morto no dia 31 de março.

Zezico Guajajra, eleito recentemente Coordenador Regional da Comissão dos Caciques e Lideranças da TI Arariboia (Cocalitia), era diretor do Centro de Educação Escolar Indígena Azuru, na aldeia Zutiwa, estudante do Curso de Licenciatura Intercultural da Universidade Federal de Goiás (UFG), defensor da histórica luta do povo Tentehar/Guajajara e denunciava as constantes invasões, defendia os direitos de seu povo e do grupo autoisolado Awe, que vive na mesma Terra Indígena. Ultimamente, Zezico estava empenhado em promover ações de proteção às comunidades indígenas em razão da pandemia da COVID-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV2).

O avanço sobre as terras indígenas, motivado pela ganância de madeireiros, grileiros e garimpeiros, vem ceifando a vida de lideranças indígenas. Com o governo Bolsonaro a situação se agravou, pois esse tomou como bandeira o desmonte da política indigenista, concedendo uma licença silenciosa para matar.

Desde o ano 2000, esse é o quadragésimo nono assassinato de indígenas dessa etnia. Entre novembro e dezembro de 2019, quatro indígenas Guajajara foram assassinado(a)s motivando o emprego da Força Nacional, para a proteção dessas terras, no entanto, não foi implementada nenhuma política permanente de proteção, ao contrário: as palavras do presidente Bolsonaro incentivam a prática do “fogo e sangue”.

O genocídio histórico dos povos indígenas segue acontecendo e se faz necessária uma imediata investigação a fim de identificar o(a)s autore(a)s desse assassinato, sem imputar a culpa à versão mais cômoda, mas, ao mesmo tempo, é necessário que o governo brasileiro, através da FUNAI e do IBAMA, cumpra seu dever constitucional de proteção das terras indígenas e dos povos originários.

Toda solidariedade ao povo guajajara!

Sangue indígena, nenhuma gota a mais!

Zezico, presente!

 

 

Brasília (DF), 1º de abril de 2020

 

Diretoria Nacional do ANDES-N

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