Ação no STF por internet aberta nas eleições mobiliza diversas organizações da sociedade civil

Publicado em 29 de Setembro de 2026 às 14h59. Atualizado em 02 de Outubro de 2026 às 18h26

A ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o acesso à internet aberta durante as eleições de 2026 ganhou uma mobilização nacional da sociedade civil. Diversas organizações aderiram à campanha "Democracia Sem Franquia" e defendem a suspensão temporária do bloqueio da navegação por esgotamento da franquia de dados móveis nas 72 horas que antecedem a votação. As entidades também preparam pedidos de habilitação como amici curiae no processo, enquanto ampliam a mobilização pública em apoio à medida.

A iniciativa reúne organizações de defesa dos direitos digitais, da comunicação, da educação e dos direitos humanos. O movimento defende que, durante o período eleitoral, a população brasileira possa acessar livremente veículos de imprensa, serviços públicos, mecanismos de busca e outras fontes de informação, independentemente do esgotamento de seus pacotes de dados.

A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1355, ajuizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do Partido Verde (PV), busca garantir a continuidade do acesso à internet móvel no período crítico que antecede a votação. A CNTE convocou professores e trabalhadores da educação a defenderem o direito à informação e destaca a importância de assegurar que os eleitores tenham condições de consultar diferentes fontes de informação antes de votar.

Em liminar proferida nessa segunda-feira (28), o relator da ADPF 1355, ministro Cristiano Zanin,  determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) garanta o acesso gratuito ao site de checagem de notícias falsas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e às demais páginas e aplicativos da Justiça Eleitoral nas 72 horas antes e nas 24 horas depois de cada um dos turnos das eleições deste ano. A decisão será submetida ao Plenário Virtual a partir desta terça (29). 

Organizações preparam ingresso no STF e lançam site com estudos
As organizações da sociedade civil, que integram a campanha, preparam pedidos de habilitação como amici curiae na ação, com o objetivo de contribuir para a análise do Supremo e apoiar o pedido de tutela de urgência. 
As entidades apresentarão argumentos técnicos e jurídicos sobre os impactos da interrupção do acesso à internet no exercício dos direitos à informação e ao voto, especialmente entre os brasileiros de menor renda.

Também foi lançado o site democraciasemfranquia.com.br , que reúne informações sobre a campanha, estudos sobre a desigualdade de acesso à internet e os fundamentos da medida defendida pelas entidades. O site funciona como ponto de referência para a mobilização da sociedade civil e permite que cidadãos conheçam a iniciativa e manifestem seu apoio.

Para as organizações, a questão vai além das relações de consumo entre usuários e operadoras. A possibilidade de acessar diretamente fontes de informação é uma condição importante para o exercício do voto livre e informado, sobretudo nas horas que antecedem a eleição, quando eleitores podem precisar verificar notícias, consultar informações sobre candidatos e acessar serviços públicos. A campanha defende a suspensão temporária do bloqueio da navegação por esgotamento da franquia, sem alterar permanentemente os contratos de telefonia móvel. O objetivo é garantir que os eleitores não fiquem restritos aos aplicativos que continuam funcionando após o fim do pacote de dados, podendo acessar também a imprensa e os demais serviços da internet aberta.

Manifesto das organizações: Democracia sem franquia: liberdade de voto exige liberdade de acesso

Nos dirigimos ao Poder Judiciário, à Anatel, ao poder público e às operadoras de telecomunicações. Em uma eleição, não basta garantir que todos possam votar. É preciso garantir que todos tenham condições de escolher livremente em quem votar, e isso só é possível com pleno acesso à informação.

Hoje, para milhões de brasileiros, a internet simplesmente não dura até o fim do mês. E ela acaba primeiro para quem tem menos: quanto menor a renda, maior o período de desconexão. A profunda desigualdade social brasileira converteu-se em desigualdade de acesso à internet e, por consequência, à informação. Quando os dados acabam, não desaparece apenas o entretenimento. Ficam mais difíceis o acesso a serviços públicos, financeiros, à saúde e, principalmente em uma eleição, à informação e ao jornalismo profissional. Existe ainda uma distorção mais grave: quando a franquia acaba, a internet aberta pode fechar enquanto determinadas plataformas estrangeiras continuam acessíveis sem consumir dados. Os brasileiros não ficam presos fora do ambiente digital, mas presos dentro da pior parte dele , onde algoritmos privados decidem o que aparece e o que ganha alcance.

Não podemos aceitar uma democracia em que a renda determine por quanto tempo alguém pode se informar, nem em que acordos comerciais entre operadoras e plataformas definam quais portas da internet continuam abertas. Quem controla a porta de acesso à informação acumula poder sobre a formação da vontade política. Defender a soberania brasileira não é apenas controlar o território. Soberania é garantir que o povo possa formar livremente sua vontade.

Por isso, demandamos que o Poder Judiciário, a Anatel e o Poder Público adotem medidas urgentes para garantir aos eleitores brasileiros acesso pleno à internet e à informação durante as eleições gerais de 2026.

Entidades apoiadoras:
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE);
Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe);
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj);
Intervozes;
Instituto de Referência em Internet e Sociedade (IRIS);
Instituto Brasileiro de Políticas Digitais Mutirão;
Aláfia Lab;
Nupef;
Federação Nacional dos Empregados em Empresas e Órgãos Públicos e Privados de Processamento de Dados, Serviços de Informática e Similares (Fenadados);
Instituto Democracia em Xeque; Rede pela Soberania;
Data_Labe;
Instituto Decodifica;
Sala de Articulação Contra Desinformação;
Direito à Comunicação e Democracia;
Teia de Criadores;
Luz Manifesto;
Instituto da Hora;
Brasil Fora da Caverna,
CRTL+Z,
Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC)
Sleeping Giants Brasil.
Instituto Lamparina
Artigo 19


Fonte: Fonasefe, com edição e inclusão de informação do ANDES-SN. Imagem: Fonasefe

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