Invasão na Ufam mobiliza docentes contra os ataques da extrema direita

Publicado em 08 de Maio de 2026 às 14h48. Atualizado em 08 de Maio de 2026 às 14h55

Um recente episódio de agressão, ocorrido na última terça-feira (5), no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), reacendeu o debate sobre os ataques à liberdade de manifestação e à autonomia universitária.

O vereador conhecido como coronel Rosses (PL) entrou nas dependências do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS) da Ufam, acompanhado de seguranças e influenciadores digitais, para retirar cartazes de manifestações estudantis, provocando confronto com estudantes e com o professor de História, Luiz Antonio Nascimento de Souza.

Diante da situação, a Associação dos Docentes da Ufam (Adua-Seção Sindical do ANDES-SN) publicou uma nota repudiando o episódio, classificado pela entidade como uma ação intimidatória, de invasão do espaço universitário e atentatória ao direito constitucional de expressão política.

A seção sindical alertou ainda que ações semelhantes já haviam ocorrido na semana anterior, no mesmo instituto, quando grupos de extrema direita atacaram Centros Acadêmicos e utilizaram as redes sociais para divulgar o ocorrido. Para a Adua SSind., os episódios exigem medidas legais, institucionais e preventivas por parte da administração superior da universidade.

Na manhã de quinta-feira (7), docentes da Ufam realizaram uma reunião para discutir os ataques e construir estratégias coletivas de enfrentamento. Entre os pontos debatidos estavam a necessidade de fortalecer mecanismos de proteção à comunidade acadêmica, ampliar a articulação política dentro da universidade e organizar mobilizações públicas em defesa da instituição.

“Nós temos que nos organizar porque, nesse ano eleitoral, a tendência é a situação piorar. O professor Luiz Antonio estava sozinho naquele dia fazendo o enfrentamento. Se acontecerem novos casos, podemos acionar a todos, por exemplo. Essa reunião é justamente para trocar ideias e pensar estratégias”, afirmou Marcelo Vallina, professor da universidade, e 1º vice-presidente da Regional Norte 1 do ANDES-SN.

Como encaminhamento, as e os docentes aprovaram adesão à mobilização “Reunião Aberta em Defesa da UFAM e Construção de Estratégias Coletivas”, convocada pelo Campo Popular do Movimento Social do Amazonas para a próxima segunda-feira (11), às 13h, no IFCHS.

Também foi definida a realização de uma reunião ampliada, após o ato, com docentes da Ufam, movimentos sociais, estudantis e populares, partidos políticos, sindicatos e demais organizações. O encontro contará ainda com a participação do Fórum Unidade na Luta do Amazonas, composto por diversas entidades, entre elas a Adua SSind.

“Não é a primeira vez que um grupo de extrema direita entra na Ufam. Sabemos que isso é uma estratégia inclusive para projeção de candidaturas. E não apenas na Ufam. Outro dia ocorreu na UEA e em outras universidades. Nós temos que criar uma cadeia dos movimentos sindicais e sociais, e de partidos políticos de esquerda, para pensar uma unidade na luta, porque esse não é um problema só nosso, é de toda a sociedade”, destacou Jacob Paiva, professor da universidade e 3º secretário do ANDES-SN.

Entre os encaminhamentos aprovados está ainda a articulação com a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) na defesa das universidades públicas e no enfrentamento aos ataques da extrema direita. No dia 4 de maio, estudantes da Escola Superior de Artes e Turismo (ESAT/UEA) realizaram um ato público, após ataques sofridos nas redes sociais em razão de um vídeo com discentes realizando uma atividade artística na área externa da faculdade.

As e os docentes da Ufam também decidiram protocolar um documento formal sobre os episódios na Comissão de Ética da Câmara Municipal de Manaus. A reunião docente contou ainda com a participação de representantes de entidades sindicais e de partidos políticos do campo da esquerda.

Com informações e imagens da Adua SSind.

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